Marconi Perillo é preso durante depoimento a Polícia Federal

O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) foi preso na tarde desta quarta-feira (10/10), em Goiânia, enquanto prestava depoimento à Polícia Federal sobre suspeita de propinas pagas em campanhas eleitorais.

A Polícia Federal não confirmou inicialmente a prisão, mas os advogados do ex-governador emitiram nota condenando a decisão (leia abaixo).

No momento da prisão, Perillo depunha para esclarecer suspeitas levantadas pela operação Cash Delivery, que apura pagamentos indevidos de valores a agentes públicos no estado vizinho ao DF. Segundo a PF, delatores da empreiteira Odebrecht citaram repasses ilegais de cerca de R$ 10 milhões às campanhas de Perillo — R$ 2 milhões em 2010 e R$ 8 milhões em 2014.

Em setembro, a operação executou 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Perillo (PSDB) e cinco mandados de prisão temporária, um deles contra o coordenador de campanha do governador José Elinton (PSDB), que tentou a reeleição, mas acabou derrotado no primeiro turno por Ronaldo Caiado.

Na ocasião, o Ministério Público Federal afirmou que só não havia pedido as prisões temporárias de Perillo porque a lei eleitoral não permite prisões de candidatos entre 15 dias antes e dois dias após o pleito. Perillo tentou se eleger para o Senado, mas acabou em quinto lugar no último domingo.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que recebeu a notícia da prisão com perplexidade. De acordo com o defensor de Perillo, “não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto do ex-governador Marconi Perillo, principalmente pelas mencionadas decisões anteriores que já afastaram a necessidade de prisão neste momento.”

Veja a íntegra da nota da defesa de Perillo

“A Defesa de Marconi Perillo, perplexa, vem registrar a completa indignação com o decreto de prisão na data de hoje. O Tribunal Regional da Primeira Região ja concedeu 2 liminares para determinar a liberdade de duas outras pessoas presas nessa mesma operação, através de decisões de 2 ilustres Desembargadores. O novo decreto de prisão é praticamente um “copia e cola” de outra decisão de prisão já revogada por determinação do TRF 1. Não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto do ex Governador Marconi Perillo, principalmente pelas mencionadas decisões anteriores que já afastaram a necessidade de prisão neste momento.

Na visão da defesa, esta nova prisão constitui uma forma de descumprimento indireto dos fundamentos das decisões de liberdade concedidas a outros investigados. A Defesa acredita no Poder Judiciário e reitera que uma prisão por fatos supostamente ocorridos em 2010 e 2014, na palavra isolada dos delatores, afronta pacífica jurisprudência do Supremo, que não admite prisão por fatos que não tenham comtemporaneidade. Marconi Perillo recebeu o decreto de prisão quando estava iniciando o seu depoimento no departamento de Polícia Federal e optou por manter o depoimento por ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos.”

Fonte e Matéria: Correio Brasiliense


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