Ação de atravessadores é investigada na Saúde, em Anápolis

A ação de atravessadores, ou seja, pessoas que se passam por intermediários para a realização de atendimentos públicos prometendo facilidades, na saúde municipal de Anápolis, a 60 km de Goiânia, virou caso de polícia após denúncias do poder público municipal. Os intermediários são conhecidos por ‘vender’ facilidades no atendimento de serviços públicos, como a aposentadoria e auxílios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas também atuam, principalmente, nos regimes do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o prefeito de Anápolis, Roberto Naves, as ocorrências não são novas e diversos casos já foram observados. “Essa é a ponta do iceberg, o primeiro caso concreto que temos de várias especulações. Assim que recebi a denúncia, encaminhei ao serviço de inteligência da Polícia Militar que iniciou a investigação”, disse.

Segundo o gestor, o caso foi relatado pelo filho de um paciente do interior do Estado que necessitava de um stent – aparelho utilizado em cirurgia cardíaca – para o qual foi cobrado, pelo atravessador, R$ 10 mil para a realização do procedimento. Após acionar ao serviço de inteligência da Polícia Militar, que interceptou a negociação, a Polícia Federal também foi notificada para qualquer tipo de auxílio.

Ainda segundo ele, o caso é grave e coloca em risco todo o atendimento público. Se for confirmada a participação de servidores públicos, processos administrativos serão abertos, o que resultara em demissões. “Toda denúncia, em qualquer área da administração será investigada”, declarou.

A principal mudança que levou à atual investigação é o processo de digitalização dos sistemas, o que acarretou em uma facilidade maior para encontrar problemas nas marcações e operações.  “Com a regulação funcionando efetivamente, todo e qualquer caso de tentativa de favorecimento será elucidado. Isso significa tratamento igualitário e justo com a população que não quer saber mais desse tipo de atitude”, finalizou.

Cartões

Outra a linha a ser investigada é a confecção de cartões do Sistema Único de Saúde (SUS). A incoerência está no fato de Anápolis possuir cerca de 800 mil cartões e aproximadamente 370 mil habitantes. Já estão em investigação as chamadas casas de passagem, que são residências alugadas por pessoas de outras cidades que buscam tratamento médico na cidade e têm a disposição o comprovante de endereço local para burlar o sistema.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Lucas Leite, a regulação já está atenta a esses casos e busca mais rigor na confecção destes cartões que são padronizados pelo Ministério da Saúde. “Outra medida é a redução e otimização de senhas da regulação que antes não tinham o controle devido”, ressaltou. Além dessa linha dura na confecção, a Prefeitura já selou parceria com a Receita Federal para cruzamento de dados que vão verificar se a pessoa reside ou não na cidade.

Reestruturação

A informatização do sistema de saúde faz parte do processo de reestruturação iniciado na rede municipal de Anápolis. Isso inclui a instalação de software para gerenciar e garantir a transparência de todas as informações que circulam em todas as esferas da saúde pública. O sistema, em fase de implantação, ainda prioriza o controle e abastecimento de medicamentos, regulação de consultas, exames e internações com a garantia de dados reais por meio do prontuário médico digital.  

Fonte e Matéria O Hoje

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